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Um insulto à cidadania Seleção, na alegria Os sinos dobram pela A patrulha que viaja Apagão na democracia O crime como um valor
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que só incomoda aos puristas
O Acordo Ortográfico que acaba de entrar em vigor nos países da língua portuguesa tem entre seus múltiplos efeitos a renovação da ranzinzice dos puristas. Talvez não haja ofensa maior, nesse campo, do que chamá-los de guardiões da mumificação – da ortografia, no caso –, avessos às mudanças que a língua portuguesa tem sofrido desde que se separou do galego e constituiu-se como idioma autônomo. Tem sido assim a partir ao menos de 1880, quando o filólogo português Gonçalves Viana pôs-se a simplificar a escrita, e na seqüência de um punhado de acordos que oficializaram a modernização da “antigua orthographia”. Todos
os letrados temos nossas
idiossincrasias (dos ágrafos nem se fale) e muitos teimam em
não seguir as
regras estabelecidas em lei, incidindo no pior erro que podem cometer:
o de
cultivarem uma ortografia pessoal, sinônimo da
balbúrdia que enfraquece o
idioma e prejudica a comunicação. Até
gramáticos e dicionaristas casmurram nas
escolhas peculiares. Foi o caso de Napoleão Mendes de
Almeida, Se é um truísmo dizer que “o povo faz a língua”, e que sua força evolutiva está na oralidade, também constitui obviedade reconhecer que toda língua de cultura necessita de uma norma culta que assegure sua unidade. A gramática, com regras por vezes tortuosas (repito: quantos de nós não derrapamos nas curvas do pronome reto...), é um imperativo da civilidade cultural, ou seja, o preço que pagamos para viver em harmonia social. É lícito reclamar de aspectos do Acordo, ou pugnar por uma revisão mais ampla e profunda das normas, mas convém lembrar que não é fácil tecer um pacto ortográfico nem na mesa do botequim, quanto mais entre sete países, como diz a piada, separados pela mesma língua. Basta ver a resistência que setores de Portugal oferecem à implantação das novas regras, embora elas tenham sido endossadas pelo filólogo João Malaca Costeleiro, coordenador do Dicionário da Academia de Ciências de Lisboa. Idêntico apoio deu o maior gramático brasileiro vivo, Evanildo Bechara. Sabem eles que a língua é um fato social, sujeito a mudanças como tudo que existe. Não se pode é estender a ela uma espécie de neoliberalismo linguístico que a sujeite exclusivamente aos usuários, vale dizer, ao mercado. O caráter normativo do Acordo Ortográfico é tão mais importante quando se aquilata que é um tratado político entre Estados, com o objetivo de universalizar a língua portuguesa, dando-lhe unidade internacional. 04/01/2009 |