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Fortuna e miséria dos bloguesJornais pessoais na internet patinam em deformidades e estão longe de substituir a “mídia golpista” que tanto criticam As
viúvas da antigua
orthographiaAcordo
Ortográfico é um tratado
político que só incomoda aos puristas.
São
Paulo e a chama da RepúblicaA
adesão dos
barões do café foi talvez a
mais perfeita operação de
apropriação do Estado
por uma classe.
Um insulto
à cidadaniaGoverno
mantém privilégios na prisão
para diplomados e jornalistas.
O fim da História NovaNem
tudo que se perdeu na
ditadura foi
reencontrado. A coleção História
Nova do Brasil nunca mais foi reeditada.
Pardo não é
preto nem brancoIBGE alia-se a
movimentos raciais e declara que pardo é
negro.
Seleção,
na alegria
e na tristezaO neoliberalismo
informa: sai o torcedor, entra o consumidor
de futebol. Quer resultados, por que está pagando, e vaia se
não recebe a mercadoria encomendada.
Os sinos dobram
pela lei de quotasAs projetos para
imposição de quotas de cor das
pessoas
na TV,na universidade e no serviço público
transplantam
para o Brasil o modelo do ódio birracial americano.
A patrulha que
viaja no tempoReaparece o
pseudo-radicalismo político que exige do artista
a
solução dos problemas sociais que ele descreve ou
denuncia em sua obra.
Apagão
na democraciaA"reforma
partidária" proposta pelo governo vem justificada
com
imposturas que atentam contra a liberdade de
organização
para a disputa do poder.
O crime como um
valorA responsabilização
individual do criminoso
é
reconhecida pelo Direito, mas está em baixa nos debates que
tudo
atribuem à exclusão social. Não
é
tão simples.
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Coice na ética
que trataram a patadas o pedido de desculpas de um jornalista ético
Sérgio Buarque de Gusmão O massacre a
que foi submetido o jornalista Ricardo
Setti neste blogue
emula os linchamentos histéricos
cometidos pelas turbas
ensandecidas. Na essência, não difere do
“assassinato de reputação”
intentado recentemente
contra o dono do blogue por vozes que estão do outro lado da
trincheira, mas se
igualam no uso da guerra suja da infâmia. [Estranhamente, o assunto está publicado em duas páginas no blogue de Nassif, aparentemente iguais mas de fato diferentes: aqui e aqui - e só nesta última aparece meu pedido de postar um comentário.] Profissional brilhante, de retidão exemplar, tão generalista quanto minucioso, Ricardo Setti pediu desculpas em seu blogue na Editora Abril por ter dado curso a uma notícia falsa que transcreveu do jornal O Estado de S. Paulo. Foi linchado pela virtude em um ambiente repleto de defeitos. A mim não
importa, como jamais importou, que estejamos em campos
ideológicos diferentes,
ele alinhado com a oposição neoliberal e eu com o
ciclo de governos
democráticos e populares dos presidentes Lula e Dilma.
Importa-me sua adesão ao
Jornalismo como missão, sua paixão pela
notícia bem-apurada e bem-editada, a
acurácia com que tem revestido seu trabalho de
décadas nessa profissão difícil,
recheada de riscos e incompreensões. Se certa imprensa passa
por um mau período
no Brasil (nem na data do cabeçalho se pode confiar...), ao
menos merece
críticos que saibam identificar a grandeza de um pedido de
desculpas por um
erro cometido em boa-fé. Chama a
atenção que vários desses carrascos
sumários
escondam-se no anonimato. Parodiando o Dr. Samuel Johnson, é
o primeiro refúgio
dos covardes. Em conjuntura de amplas liberdades
democráticas como a atual, o
debate deve ser aberto, livre e franco, cada um respondendo pelo uso
sagrado da
liberdade de expressão sem ocultar sua identidade em
pseudônimos ou nomes
claramente apócrifos. Atirando das sombras, nada pesquisam
nem apuram, não
moderam nem ponderam, disparam pitacos como a mula desfere coices no
ar. Barbarizar
Setti por transcrever notícia de jornal é
o paroxismo da desfaçatez. O que antigamente se chamava
jocosamente de
“tesoura-press”, hoje “c-v”,
é a principal fonte de abastecimento dos blogues.
Convém notar que aqui também funciona a tribuna
dos recortes: a esmagadora
maioria das “notícias” transcritas
são tiradas da mídia comercial, e não
há
evidência de que alguma passe por filtro de checagem. Nassif
até criou a
rubrica “Em Observação”, mas
dela escapa a maior parte das transcrições.
Servem
de mote para comentaristas ligeiros, com exceções
luminosas como André Araújo,
Renato Janine Ribeiro e outros, despejarem palpites mais pertinentes ao
cais do
porto, às arquibancadas ou aos botecos,
territórios livres da selvajaria
verbal. Frequentemente
cintilam barbaridades, como a série
de invencionices acerca do projeto de reforma do Código
Florestal (de pouco
valeu sua moderação, Roberto Rogério
Fratta), aceitas sem ponderação alguma.
Mas quantas reses desconfiadas se apartam do estouro da boiada? Os mais
eloquentes abraçam a clipagem do que chamam PIG tal e qual
um muçulmano sobraça
o Alcorão. Causa desconforto observar, como no
apólogo de Machado, que a
oficina em que Luís Nassif costura seu jornalismo elegante
sirva de agulha para
tanta linha ordinária.
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